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terça-feira, 30 de junho de 2015

1985 ... 2015



Naquela manhã do início do inverno, as ruas ainda se desmanchavam entre neblina e orvalho quando saíram de bicicleta em direção ao hospital da cidade.
Também naquele domingo, as nuvens fugiram do céu e as pessoas descansavam silenciosamente, pois não queriam perder o encantamento da história (acabara os anos de chumbo: fim da ditadura militar).
Tinha certeza de que aquela situação estivera me esperando por longos meses a fio.Os minutos e as horas transcorreram como num sonho.
Os olhos com discreta serenidade daquele pai congelaram o tempo e as lembranças daquele dia. Assim, não foi preciso nenhuma explicação para mudança de seu nome.
Naquele 30 de junho, conheci o prazer de ser mãe, de explorar caminhos que se abrem em nossa alma, de abandonar-me à beleza e ao mistério da vida e de Deus.
Então,sua presença enchia de esperança cada canto daquela casinha dos fundos.
O tempo passou... E durante muito tempo a imagem guardada no coração foi a de seu nascimento: um parto sofrido demais... como um silêncio cheio de lágrimas que eu ainda não tinha aprendido a descrever com palavras.

Para Marcella,
Com amor, mãe Rosana



terça-feira, 2 de junho de 2015

Era uma vez...




Enquanto a manhã se espreguiçava
Em sopros de luz inclinados
Entre fé e esperança chegava
Encanto e doçura sonhados

E à luz de meus tantos anos
Eu quis congelar o tempo...
E com um sorriso impresso nos lábios
Eu quis congelar o tempo...

E o tempo transcorreu como alucinação
E num mundo de imagem e sensação
Eu quis abandonar-me à imaginação

E sob a proteção da luz enfeitiçada
Escrevi um conto de fadas...
E Luísa... a princesa encantada!

Com muito amor pra Luísa, minha princesinha!
Vovó Rosana

domingo, 29 de março de 2015

O catador de sonhos






Naquele ano de 1991 eu completaria 27 anos de idade.Casada e com duas filhas - uma faria 6 anos e a outra 3.
Morávamos numa casa modesta, nos fundos da casa de uma professora. Com apenas três cômodos, o quarto era o ninho perfeito para tantos sonhos. Ali,quase todas as noites, contava para elas os mais belos contos de fadas e outros tantos que eu inventava.
Nossa princesa chamava-se Elisa e Seu "RABUJA"era o catador de sonhos que durante a noite, roubava os sonhos, para então, transformá-los em realidade durante o dia.
Boa parte do tempo passava alegre, contemplando tanta ternura. Então, transformava tudo em histórias e lançava sobre elas, a bênção das fadas.
Talvez seja utopia, mas sabia que as filhas sonhavam o mesmo sonho: que o pai e a mãe ficassem juntos e felizes para sempre, como nos contos de fadas.
E naquele ano, Seu "Rabuja"não catou esse sonho ou deve ter morrido; tentei explicar com minhas palavras hesitantes, à filha mais nova, as conturbadas mudanças em nossa vida. Parecia não entender ou não estivesse interessada.
Compreendi então, que a aparente indiferença dela, não era porque estivesse desinteressada, mas porque, sonho e realidade não cabem em palavras e, isso se transmite no olhar. Olhar marcado intensamente pelo medo, saudade e resignação.
Acredito que a infância seja o chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias.Se for esburacado demais vamos tropeçar mais, cair com mais facilidade. Porém, dentro de nossos limites, podemos intervir, errando e acertando entre os desafios de cada dia. Nem tudo pode ser sonhado: misturamos em nós a possibilidade de sonhar e a certeza de sofrer.
Se insisto nestas lembranças é porque penso que a família, que nos define tanto, pode ser um porto confiável de onde partimos e ao qual podemos retornar, ainda que em pensamento. Aquele lugar que será sempre o "meu"e o "seu" lugar, mesmo que eu já não viva nele.



Com muito amor e carinho pra você Letícia que completa hoje 27 anos!
Nossa vida não é um conto de fadas e não podemos alterar o passado. Não comandamos o destino de nossos filhos, nem ao menos podemos sofrer no lugar deles. Ter filhos é viver com as incertezas e crer sempre que Deus está conosco mesmo nos momentos de dor e sofrimento.
Te amo muito, mãe Rosana

domingo, 7 de dezembro de 2014

Memórias de meu avô

Lá na Tabuleta, onde meu avô morava, quando o dia chegava ao fim, a noite trazia encanto e magia com a luz escassa e amarelada da lamparina, o pisca- pisca dos vaga-lumes e o coaxar ininterrupto dos sapos. Então, com o calor da brasa nos pés, o arrepio ficava por conta do medo e dos "causos"contados por meu avô. "Antigamente..." "Naquele tempo..." "Lá pra aquelas bandas...onde Judas perdeu as botas" , assim, meu avô iniciava as mais belas narrativas de aventura, que até mesmo Robinson Crusoé, ficaria encantado! No dia seguinte, eu rabiscava no chão tudo o que restava na memória, pois a escola ainda não tinha chegado pra aquelas bandas. Porém, meu avó tinha escutado que um tal "mascate" iria ensinar os números pra "módi podê vendê" as mercadorias lá na roça. Meu avô não aprendeu nem os números; nem as letras! Certo dia, ele disse que teve um sonho lindo. Sonhara que sua neta era professora na roça. - O que faz uma professora, padrinho? ( era assim que eu o chamava) - Ensina a gente a "aprendê", respondeu com doçura na voz. Muito tempo se passou... E a neta cresceu e aprendeu a ensinar! Homenagem ao meu avô José Geraldo Ambrósio, pois hoje dia 07 de dezembro seria seu aniversário!

Minhas Netas










Minhas netas eu vejo que são três
E cada qual é da beleza irmã,
Se eu quero Lavínia, muito quero Laís,
Da mesma forma quero Luísa.

Tendo a meiguice da primeira neta,
Vejo a segunda que me prende e encanta,
A mesma estrela que reluz e brilha,
Se olho a terceira, vejo a mesma santa.

Se a cada uma com fervor venero,
fico confusa sem saber das três
Qual a mais linda e qual me faz feliz
Se é Lavínia, se é Luísa ou se é Laís.

 E já velha, a pensar de quando em quando
Que um dia  voltarei ao pó,
Eu sou feliz e morrerei pensando
Que as três netas que tenho é uma só.


Paráfrase do poema " Minhas filhas"  de Patativa do Assaré para minhas netas: Lavínia, Laís e Luísa
restiadesol.blogspot.com.brCom muito amor vovó Rosana Silva